Escolher um crédito habitação implica tomar várias decisões importantes. Entre elas, uma das mais relevantes é definir qual o tipo de taxa de juro que vai aplicar ao seu empréstimo.
Em Portugal, existem três opções principais:
-Taxa Variável;
-Taxa Fixa;
-Taxa Mista.
Cada uma tem vantagens e riscos diferentes. A escolha certa depende do perfil financeiro de cada pessoa, da tolerância ao risco e daquilo que procura no crédito: prestação mais baixa no imediato ou maior estabilidade ao longo do tempo.
Neste artigo explicamos de forma simples como funciona cada regime de taxa e o que deve considerar antes de decidir.
1. Taxa Variável: a opção mais comum em Portugal
A taxa variável é, historicamente, a opção mais utilizada nos créditos habitação em Portugal.
Neste regime, a taxa de juro do empréstimo resulta da soma de dois elementos:
-Spread: margem definida pelo banco, de acordo com o risco do cliente e as garantias do crédito. No fundo, representa o lucro do banco com a concessão do crédito.
-Euribor: taxa de referência do mercado europeu que oscila com o mercado ao longo do tempo.
A prestação do crédito é atualizada periodicamente conforme o prazo da Euribor escolhido.
Por exemplo:
-Euribor a 3 meses: revisão trimestral da prestação;
-Euribor a 6 meses: revisão semestral;
-Euribor a 12 meses: revisão anual.
Isto significa que a prestação pode subir ou descer ao longo do tempo, dependendo da evolução da Euribor.
Vantagens
-Prestação inicial geralmente mais baixa;
-Benefício direto quando as taxas de juro descem.
Desvantagens
-Menor previsibilidade no valor da prestação;
-Risco de aumento do valor da mensalidade se a Euribor subir.
2. Taxa Fixa: estabilidade ao longo de todo o contrato
Num crédito habitação com taxa fixa, a taxa de juro mantém-se exatamente igual durante todo o prazo do empréstimo.
Isto significa que a prestação mensal não muda, independentemente da evolução da Euribor ou do mercado.
A taxa é definida pelo banco com base em vários fatores, como:
-Perfil de risco do cliente;
-Relação entre valor do empréstimo e valor do imóvel (LTV);
-Prazo do crédito;
-Risco assumido pela instituição ao fixar a taxa por muitos anos.
Normalmente, a prestação inicial é mais elevada do que num crédito com taxa variável.
Vantagens
-Prestação sempre igual;
-Maior previsibilidade financeira;
-Proteção contra subidas das taxas de juro.
Desvantagens
-Prestação inicial mais alta;
-Não beneficia caso as taxas de juro desçam no futuro.
Este tipo de taxa costuma ser escolhida por quem valoriza, acima de tudo, segurança e estabilidade no orçamento familiar.
3. Taxa Mista: uma solução intermédia
Para quem tem dificuldade em escolher entre taxa fixa e variável, existe uma terceira opção: a taxa mista.
Neste modelo, o crédito tem duas fases:
1. Período inicial com taxa fixa (por exemplo 2, 5 ou 10 anos);
2. Período restante com taxa variável, indexada à Euribor.
Durante os primeiros anos, a prestação mantém-se estável. Após esse período, passa a variar conforme o mercado.
Vantagens
-Maior previsibilidade nos primeiros anos do crédito;
-Possibilidade de beneficiar de descidas da Euribor no futuro.
Desvantagens
-A prestação pode aumentar quando começa a fase de taxa variável mediante as oscilações da Euribor.
Este regime tornou-se particularmente popular em períodos de incerteza económica ou subida de taxas, porque permite combinar estabilidade inicial com flexibilidade futura.
4. Reembolso antecipado: um detalhe importante
Outro fator a considerar ao escolher o tipo de taxa é o custo de amortização antecipada do crédito.
O reembolso antecipado acontece quando decide pagar parte ou a totalidade do crédito antes do prazo final, por exemplo:
-Se quiser reduzir o capital em dívida;
-Se transferir o crédito para outro banco;
-Se vender o imóvel.
Segundo as regras do Banco de Portugal, as comissões máximas são:
-Taxa variável: até 0,5% do capital em dívida;
-Taxa fixa: até 2% do capital em dívida.
Exemplo Prático
Se tiver 60.000 € de capital em dívida:
-Taxa variável: comissão máxima de 300€
-Taxa fixa: comissão máxima de 1.200€
A diferença pode ser relevante e deve ser considerada no momento de escolher o regime de taxa.
5. Será possível alterar a taxa durante o contrato?
Sim, o regime de taxa pode ser alterado através de renegociação com o banco.
Durante essa renegociação é possível rever várias condições do crédito, como:
-Spread;
-Prazo do empréstimo;
-Regime de taxa (fixa, variável ou mista);
-Periodicidade da Euribor.
No entanto, esta alteração depende sempre do acordo entre o cliente e o banco.
Outra alternativa é transferir o crédito habitação para outra instituição, caso existam propostas mais competitivas no mercado.
A transferência de crédito pode permitir:
-Reduzir a prestação mensal;
-Melhorar o spread;
-Ajustar o tipo de taxa;
-Eliminar produtos bancários que já não utiliza.
6. Como escolher a melhor taxa para o seu caso?
Não existe uma resposta única. A escolha ideal depende de fatores como: estabilidade dos seus rendimentos, tolerância ao risco, prazo do crédito, evolução esperada das taxas de juro, entre outros.
Dessa forma, simular e comparar propostas de vários bancos é essencial antes de tomar uma decisão.
Na Incredible Finance, analisamos o seu perfil de forma gratuita e apresentamos propostas de diferentes bancos com quem temos parceria. Assim consegue perceber, de forma clara, qual a solução mais adequada para o seu caso.
Acompanhamos todo o processo, desde a simulação até à aprovação do crédito, sempre com explicações simples e transparentes.
Conclusão
A escolha entre taxa fixa, variável ou mista é uma das decisões mais importantes num crédito habitação.
Em resumo:
-Taxa variável: prestação inicial mais baixa, mas sujeita a oscilações;
-Taxa fixa: maior estabilidade e previsibilidade;
-Taxa mista: equilíbrio entre segurança inicial e flexibilidade futura.
Antes de decidir, é essencial analisar bem o seu perfil financeiro e comparar propostas.
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