Nos últimos anos, o acesso ao crédito habitação em Portugal tornou-se menos exigente. Agora, há um novo tema a ganhar destaque: a possível alteração da chamada “taxa de stress” utilizada pelos bancos na análise dos pedidos de crédito.
À primeira vista, pode parecer apenas mais um termo técnico do setor bancário. Mas, na prática, esta medida pode fazer uma grande diferença: o mesmo crédito poderá exigir um salário muito mais elevado para ser aprovado.
Neste artigo explicamos, de forma simples, o que é a taxa de stress, porque razão pode voltar a aumentar e qual o impacto real para quem quer comprar casa.
1. O que é a Taxa de Stress?
Quando pede um crédito habitação, o banco não olha apenas para a prestação atual. Também avalia se conseguiria continuar a pagar o empréstimo caso as taxas de juro subissem no futuro.
É precisamente aqui que entra a chamada "Taxa de Stress".
Na prática, os bancos fazem uma simulação à qual adicionam uma margem extra à taxa de juro do crédito, para perceber se o cliente conseguiria suportar os pagamentos perante um cenário mais difícil.
Este teste serve para proteger:
-Os Clientes: ajuda a evitar situações de incumprimento;
-O Banco: reduz o risco do crédito.
Segundo as recomendações macroprudenciais do Banco de Portugal, a taxa de esforço do agregado familiar não deve ultrapassar os 50% do rendimento líquido. Dessa forma, se o rendimento líquido for, por exemplo, 1000€ mensais, o total de encargos com créditos não poderá ser superior a 500€ (50% do rendimento total líquido mensal).
2. Cenário atual
Atualmente, nos créditos habitação com taxa variável ou mista, os bancos aplicam uma taxa de stress de 1,5% para créditos com prazo superior a 10 anos.
Esta medida foi reduzida em 2023 pelo Banco de Portugal. Antes disso, a taxa de stress era de 3%. O objetivo da redução foi facilitar o acesso ao crédito numa fase em que a Euribor estava com valores consideravelmente altos.
Isto significa que, atualmente, os bancos fazem a análise da capacidade financeira utilizando um cenário menos agressivo do que no passado.
3. Qual a razão de um possível aumento?
Segundo informações recentes avançadas pela imprensa, o Banco de Portugal estará a avaliar o regresso a uma taxa de stress mais elevada, devido ao aumento considerável do endividamento com financiamentos, o que provoca uma perseção de risco elevado no mercado de crédito habitação.
As principais razões apontadas prendem-se com:
-O crescimento do crédito jovem com garantia pública do Estado;
-Financiamentos com rácios muito elevados;
-A necessidade de reforçar a prudência no acesso ao crédito.
Ou seja, o objetivo do regulador será garantir que as famílias continuam a ter capacidade para pagar o empréstimo mesmo em cenários económicos mais difíceis.
4. Impacto Real: o mesmo crédito pode exigir rendimentos mais elevados
É aqui que a diferença se torna realmente importante.
Vejamos um exemplo simples:
Vamos supor que uma família pretende um crédito de 250.000€ para comprar uma casa. As condições do financiamento são:
-Prazo: 30 anos
-Taxa: Variável a 6 meses
-Spread: 0,7%
-TAN Atual: 3,1%
> Cenário atual (taxa de stress de 1,5%)
Neste momento, o banco faz o teste adicionando 1,5% à taxa.
-Prestação mensal do crédito: cerca de 1.075€
-Salário líquido necessário (50% Taxa de Esforço): aproximadamente 2.150€
> Cenário possivel no futuro (taxa de stress de 3%)
Se o Banco de Portugal voltar ao modelo anterior, a taxa simulada sobe para 6,1% (3,1 de TAN + 3% de Taxa de Stress) e por causa disso a prestação simulada também aumenta significativamente.
Nesse cenário:
-Prestação mensal do crédito: cerca de 1.524€
-Salário líquido necessário (50% Taxa de Esforço): aproximadamente 3.048€
Ou seja, o mesmo crédito pode passar a exigir quase mais 900€ líquidos por mês para ser aprovado.
5. Quem pode ser afetado?
Os mais afetados por uma possível subida da taxa de stress deverão ser, sobretudo, os jovens compradores e os agregados com rendimentos mais limitados. Quem já tem outros créditos, como crédito automóvel ou pessoal, também poderá sentir maiores dificuldades na aprovação do financiamento, uma vez que todos esses encargos entram no cálculo da taxa de esforço.
Na prática, isto significa que muitas pessoas podem deixar de conseguir aprovação para o mesmo valor de crédito que hoje conseguiriam, sendo obrigadas a procurar imóveis mais baratos, aumentar a entrada inicial ou mesmo adiar a compra de casa.
6. Como a Incredible Finance pode ajudar
Na Incredible Finance - Intermediários de Crédito, acompanhamos diariamente as mudanças do mercado e ajudamos os nossos clientes a prepararem-se para diferentes cenários.
Analisamos cada perfil financeiro, simulamos o impacto das novas regras e comparamos propostas entre vários bancos parceiros.
O objetivo é simples: encontrar a solução mais adequada ao caso de cada cliente e aumentar as probabilidades de aprovação.
E a melhor notícia é que os nossos serviços são totalmente gratuitos.
7. Conclusão
A taxa de stress pode parecer um detalhe técnico, mas tem um impacto severo no acesso ao crédito habitação.
Caso o Banco de Portugal decida avançar para um novo aumento, muitas famílias poderão precisar de rendimentos significativamente mais elevados para obter exatamente o mesmo financiamento que conseguem atualmente com um salário efetivamente mais baixo.
Dessa forma, este pode ser um momento importante para cada um:
-rever a sua situação financeira;
-perceber a sua capacidade real de compra;
-antecipar decisões antes que as regras mudem.
Se está a pensar comprar casa ou pedir crédito habitação, fale com a Incredible Finance e descubra qual é a melhor estratégia para o seu caso.
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